segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Vida de índio

xavante
Um vento forte dobra a árvore,
Despenteando-a sem dó,
Meu penacho está preso,
bem apertado o nó...
A chuva vem chegando rápido,
vejo o rubro céu
chorando no horizonte,
pende o denso véu.
Rega o mundo, Tupã!
Chora o céu, a colheita vem...
Minha flecha é certeira,
alimento, sempre tem.
Vejo a aldeia lá embaixo,
dançando está o Pajé,
rodeando o timbó
feliz de pé em pé.
Levo a caça do dia,
o canto guerreiro no ar,
canta o vento bem alto,
e mais alto vou cantar...
Quando chego na aldeia,
chuva vem me acompanhar,
lá no rio tem o tronco,
por onde devo passar.
Mãe Yara me acena,
peixes pulam sem parar,
agradeço em oferenda
a Vida há de durar...
Assim era minha terra,
nossa terra de alegria,
antes do homem pálido chegar
"a Vida nos sorria".
Mando Mago Poeta 19:11 8/2/2010


índio é da etnia Terena 
O crédito da foto é © Tatiana Cardeal.