sábado, 8 de agosto de 2009

Pai

Quando eu sonhei em ser pai
sentia falta do meu.
Nas lembranças que não tenho,
nos dias infantis, brincando só,
nas trajédias familiares...

Queria ser Pai e mudar algo,
ser o pai que não conhecia,
ter alguém que me amasse.

Reticencioso... não conversava.
Timido, isolado...
Cresci com meus devaneios juvenís,
de construir uma familia feliz.

Já não sei o que buscava,
se eram traumas disfarçados,
ou a coragem de reconciliar
com o Pai que já tinha...

Nada mudou nos anos seguintes,
partiu meu Pai desse mundo,
com um abraço tímido, quase sem querer...
partiu a minha chance, de recomeçar!

E hoje, como Pai, já não sei reviver,
os sentimentos que temia,
os motivos dele, ou os meus,
Resta apenas uma dor...

De ver uma criatura herdeira de meu sangue,
Voltar-se em revolta, secando minhas lágrimas,
com o pano de chão, como se lágrimas de amor,
fossem ácidas e sujas, águas tirânicas... Salgadas.

Que eu seria Pai, eu sabia...
só não sabia que o amor dedicado,
seria o próprio culpado,
de mais dor e solidão,
"banhado na ingratidão" ...

Sou pai, em fim... e confesso que amo demais.
Sou um pai, que cultivou a utopia, de ter uma familia feliz...
e esbarrou na dura realidade, que os filhos são seres
individuais (e muitas vezes, individualistas.) e únicos.

Pena, os valores morais foram esquecidos...
perdidos no tempo. Deixo minhas lágrimas cairem,
quando lembro, que podia "cair o céu", que ainda amava
e respeitava meus pais...
Hoje, os jovens não sabem o que é amar, apenas soletram,
as palavras que "decoraram" na infância!


Mando Mago Poeta
8 de Agosto de 2009